A América da Straight Photography / by Ruben Mália

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Contexto histórico em forma (muito) resumida.*

“Straight Image" ou "Straight Photography" nasce de uma progressão natural da fotografia que era praticada até ao início da década de 50 nos Estados Unidos
A alteração do carácter da vida Americana, juntamente com a popularidade da câmera de 35mm deram aos fotógrafos que desafiavam a estética fotográfica da época uma capacidade de responder as realidades sociais como cronistas da cena social. Esta nova estética aparece primeiro no início dos anos 40 com o trabalho Harry Callahan, Walker Evans e Louis Fraurer, trazendo novas ideias e um tom ligeiramente distanciado e irónico.
Outros nomes foram surgindo como o de Lisette Model que através das suas imagens mordazes de Nova York encontrou uma audiência receptiva entre jovens fotógrafos como Diane Arbus e Robert Frank que viria a ficar conhecido pelo seu trabalho "The Americans". Outro nome que merece ser mencionado é o de William Klein onde as suas imagens cruas de Nova York em 1950 tornaram-se ainda menos aceitáveis do que as de Robert Frank como uma visão da sociedade Americana que ressoava com as ansiedades modernas urbanas.

Na década de 60, o impacto da cultura pop fazia-se sentir nos artistas da época, assim como nos temas e nas técnicas de artes gráficas usadas na altura. Os fotógrafos, tal como os seus colegas artistas, tornaram-se atraídos para os emblemas omnipresentes na cultura contemporânea – Automóveis, placards, grafites e montras de lojas onde eles registavam estes "artefactos" assim como as pessoas e situações de uma forma casual, sem artífices e de emoção neutra, que mais tarde havia de ser cunhado por Nathan Lyons como " a paisagens social"

Seria então no final de 1960 até 1991, durante a direcção de John Szarkowski como director do departamento de fotografia do Museu de Arte Moderna em Nova York que o potencial para observação neutra ** ganhou impulso significativo através do trabalho de fotógrafos como Garry Winogrand, Lee Friedlander, Todd Papageorge, Larry Fink, Mark Cohen e Joel Meyerowitz

Haveria muito mais para dizer sobre a história do género, desde a introdução do Humor com Elliott Erwitt a toda uma panóplia de fotógrafos que viram na "straight photography" uma forma de fugir ao documentarismo clássico.
Com essa fuga a aproximação clássica, um dos factores que contribuiu para o crescimento da documentação social foi o envolvimento dos fotojornalistas numa sociedade em crescente volatilidade sociopolítica. Nomes como Bob Adelman, Bruce Davidson e Mary Ellen Mark são apenas alguns dos muitos fotojornalistas que cobriram as lutas pelos direitos civis nos anos 60 para a imprensa, mas que continuaram a confrontar os problemas sociais por sua conta.

A Straight photography ao longo da sua história, acaba por ser um ponto comum praticado por muitos fotógrafos que procuram a seriedade do documentalismo mas desejam preservar a pureza dos momentos sem intervenção directa sobre o que estão a fotografar. Ela leva-nos a trabalhar sobre a forma mais limpa, directa, sem artificialidades ou direcção de elementos simplesmente para criar uma imagem mais elegante.

A fotografia quer-se viva e crua, que nos obrigue a procurar as imagens, a estudar, e a melhorar a cada disparo, porque no momento que começamos a intervir ela torna-se um teatro e a aleatoriedade da vida perde-se.

 


*( Fonte – A World History of Photography| Cap II – Third Edition – Naomi Rosenblum)
** Observação desprovida de interpretação psicológica ou ideológica, permitindo ao "leitor" das imagens uma visão sem interferência política ou social por parte do fotógrafo