Anti-Austeridade chega ao fim by Ruben Mália

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No final de este ano irei terminar a produção da Zine Anti-Austeridade.
Vão ocorrer algumas alterações internas na gráfica (para melhor) e optei por terminar no final deste ano de 2017 a impressão de mais copias e não criar uma segunda edição.
A zine para minha alegria encontrou casa não só em Portugal, mas também em França, Brasil, Inglaterra, e nos Estados unidos onde esteve em exibição no Carnegie Museum of Art durante a PGH Photo Fair em Abril, Magnum Foundation e na Image Text Ithaca Symposium  em Junho e no Massachusetts College of Art and Design em Dezembro.

Por já só ter 4 cópias disponíveis, irei até ao final do ano oferecer uma impressão 15x20cm com todas as cópias da Anti-Austeridade adquiridas através do site.

Lojas Físicas:
Porto -  Ainda se encontra disponível 1 cópia na Inc.Livros e Edições de Autor - Rua de Santo Ildefonso, 25 (Junto a praça da batalha)

Lisboa - Estão disponíveis 2 copias na Livraria STET Rua Atalaia, 31 (bairro alto)

6 Razoes pelas quais troquei para o sistema Fuji by Ruben Mália

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No início do ano tomei a decisão de vender o meu material da Canon (5d Mk3) e fazer a transição para o sistema da Fuji com a aquisição de uma X-Pro2. Algumas pessoas têm-me perguntado quais foram os motivos que me levaram a tomar esta decisão, razão essa pela qual decidi escrever este post.

1 – Peso e dimensão
Em termos comparativos, o corpo da canon 5d mk3 pesa 950g Vs 495g da Xpro 2 já com bateria e isto sem falar no peso das objectivas da serie L da Canon Vs Fuji.

2 – Proximidade
A redução do tamanho da câmera e objectiva veio facilitar em muito a proximidade junto das pessoas que retrato. Uma câmera mais pequena é menos intrusiva, mais discreta e graças ao reduzido barulho do obturador (que mais parece um zumbido de uma abelha) tenho conseguido trabalhar com mais liberdade sem ter de enfiar o "monstro" que é a 5D nos rostos das pessoas.

3 – Limpeza e Fungos
Apesar de a Canon continuamente argumentar que as objectivas serie L e os corpos são estanques ao pó e a salpicos de água, a minha experiência com a marca não foi a mais positiva. Já mudei de sensor na 5D Mk1 2 vezes e as objectivas até ao inicio do ano estavam constantemente com poeiras ou fungos.
A minha 17-40mm tinha ainda o acréscimo de estar montada de fábrica de maneira que não permite a limpeza dos elementos do meio da objectiva, muito devido a uma cola especial usada pela marca que faz com que nenhum técnico se atreva a desmontar para limpar.

Embora tenha a objectiva da Fuji ( 23mm WR F/2 ) a menos de 1 ano, o problema de fungos ou poeiras não se manifestou.

4 – Rangefinder
Na minha rotina diária de fotografia de rua, uso 90% do tempo uma rangefinder, por isso seria de esperar que na altura de transitar no sistema digital que fosse procurar opções que me permitissem ter uma sem ter de deixar um rim no balcão da loja da Leica. O uso da rangefinder é apenas uma predilecção técnica minha devido aos meus hábitos diários, para os interessados num formato dslr normal a X-T2 é uma óptima alternativa.

5 – Cor
Um dos maiores impactos ao transitar para a Fuji que senti foi na incrível qualidade de cor que os ficheiros me estão a devolver. Esta câmera conseguiu voltar a fazer-me ver a fotografia a cores com outros olhos e com um novo entusiasmo. Embora exista algumas reclamações por parte de alguns utilizadores devido as tonalidades azuis que se fazem sentir nas imagens. A fuji já se comprometeu a resolver esse problema na próxima actualização de firmware (que nos leva ao ultimo ponto)

6 – Kaisen
Kaisen é definido como uma filosofia de desenvolvimento continuo. Este é um dos motivos que tem levado ao crescimento da marca e do apelo a muitos profissionais. Esta filosofia, leva a que a marca esteja atenta ao feedback dos fotógrafos (directo ou indirecto em fóruns ), e trabalha para conseguir melhorar os aspectos que eles sentem que precisam ser melhorados. Um dos exemplos mais recentes, será a implementação de video 4k na x-pro2 (actualização de firmware em Dezembro 2017) que surge com o apelo dos muitos utilizadores do modelo que se sentiram esquecidos após a saída da X-T2 que já trazia essa opção de fábrica.

A X-Pro 2 conseguiu-me abrir novas portas em termos fotográficos e trazer uma lufada de ar fresco ao meu entusiasmo fotográfico. Espero que este post seja de ajuda para alguém que esteja considerar fazer a mesma transição.

Exposição - Fotografar é dar Vida by Ruben Mália

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Caros amigos, venho convidar-vos a estarem presentes no próximo sábado dia 14 de Outubro pelas 16h na Galeria Geraldes da Silva, para a inauguração da exposição Fotografar é dar vida.
"Fotografar é dar Vida" foi uma actividade de fotografia participativa, realizada em Julho de 2016 nas comunidades de Suzana e Varela (Guiné-Bissau), que culminou com uma exposição fotográfica itinerante. Ao longo de três semanas, um grupo de 28 mulheres guineenses de etnia felupe utilizou a fotografia como forma de expressão e partilha das suas experiências, anseios e rotinas.

O que é ser mulher felupe? O que significa ser mãe? Como se transmitem as tradições culturais? São algumas das reflexões que surgem nos olhares destas fotógrafas.

Esta atividade foi promovida pela VIDA - ONG, em colaboração com BAGABAGA STUDIOS e Eyes of the Street / Olhares da Rua, e cofinanciada por Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e Fundação Calouste Gulbenkian.

A América da Straight Photography by Ruben Mália

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Contexto histórico em forma (muito) resumida.*

“Straight Image" ou "Straight Photography" nasce de uma progressão natural da fotografia que era praticada até ao início da década de 50 nos Estados Unidos
A alteração do carácter da vida Americana, juntamente com a popularidade da câmera de 35mm deram aos fotógrafos que desafiavam a estética fotográfica da época uma capacidade de responder as realidades sociais como cronistas da cena social. Esta nova estética aparece primeiro no início dos anos 40 com o trabalho Harry Callahan, Walker Evans e Louis Fraurer, trazendo novas ideias e um tom ligeiramente distanciado e irónico.
Outros nomes foram surgindo como o de Lisette Model que através das suas imagens mordazes de Nova York encontrou uma audiência receptiva entre jovens fotógrafos como Diane Arbus e Robert Frank que viria a ficar conhecido pelo seu trabalho "The Americans". Outro nome que merece ser mencionado é o de William Klein onde as suas imagens cruas de Nova York em 1950 tornaram-se ainda menos aceitáveis do que as de Robert Frank como uma visão da sociedade Americana que ressoava com as ansiedades modernas urbanas.

Na década de 60, o impacto da cultura pop fazia-se sentir nos artistas da época, assim como nos temas e nas técnicas de artes gráficas usadas na altura. Os fotógrafos, tal como os seus colegas artistas, tornaram-se atraídos para os emblemas omnipresentes na cultura contemporânea – Automóveis, placards, grafites e montras de lojas onde eles registavam estes "artefactos" assim como as pessoas e situações de uma forma casual, sem artífices e de emoção neutra, que mais tarde havia de ser cunhado por Nathan Lyons como " a paisagens social"

Seria então no final de 1960 até 1991, durante a direcção de John Szarkowski como director do departamento de fotografia do Museu de Arte Moderna em Nova York que o potencial para observação neutra ** ganhou impulso significativo através do trabalho de fotógrafos como Garry Winogrand, Lee Friedlander, Todd Papageorge, Larry Fink, Mark Cohen e Joel Meyerowitz

Haveria muito mais para dizer sobre a história do género, desde a introdução do Humor com Elliott Erwitt a toda uma panóplia de fotógrafos que viram na "straight photography" uma forma de fugir ao documentarismo clássico.
Com essa fuga a aproximação clássica, um dos factores que contribuiu para o crescimento da documentação social foi o envolvimento dos fotojornalistas numa sociedade em crescente volatilidade sociopolítica. Nomes como Bob Adelman, Bruce Davidson e Mary Ellen Mark são apenas alguns dos muitos fotojornalistas que cobriram as lutas pelos direitos civis nos anos 60 para a imprensa, mas que continuaram a confrontar os problemas sociais por sua conta.

A Straight photography ao longo da sua história, acaba por ser um ponto comum praticado por muitos fotógrafos que procuram a seriedade do documentalismo mas desejam preservar a pureza dos momentos sem intervenção directa sobre o que estão a fotografar. Ela leva-nos a trabalhar sobre a forma mais limpa, directa, sem artificialidades ou direcção de elementos simplesmente para criar uma imagem mais elegante.

A fotografia quer-se viva e crua, que nos obrigue a procurar as imagens, a estudar, e a melhorar a cada disparo, porque no momento que começamos a intervir ela torna-se um teatro e a aleatoriedade da vida perde-se.

 


*( Fonte – A World History of Photography| Cap II – Third Edition – Naomi Rosenblum)
** Observação desprovida de interpretação psicológica ou ideológica, permitindo ao "leitor" das imagens uma visão sem interferência política ou social por parte do fotógrafo
 

Exposição "Aqui Há Gente" - Biblioteca Almeida Garrett | 15 a 30 Outubro by Ruben Mália

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Caros amigos, tenho o gosto de vos convidar a visitarem a exposição do projecto " Aqui há gente ", que desta vez irá estar exposto na Biblioteca Municipal Almeida Garrett até dia 30 de Outubro com o apoio do Gabinete da Juventude da Câmara Municipal do Porto.

Aqueles que não tiveram hipótese de ver esta exposição em Janeiro, têm uma nova oportunidade agora até ao final deste mês.

Fungos no equipamento e como evita-los by Ruben Mália

Fungos numa Canon 17-40mm

Fungos numa Canon 17-40mm

Os Fungos no equipamento fotográfico é um tema que muito poucas vezes tenho visto a ser abordado, e que me tem causado algumas dores de cabeça ao longo dos tempos. Espero que ao partilhar aqui a solução que encontrei possa servir de ajuda para alguém que se depare com o mesmo problema.

Eu vivo numa casa que durante o Inverno sofre imenso com problemas de humidade, daí até que me surgissem os primeiros fungos nas objectivas era um curto passo, isto se já nem contarmos com algumas situações em que o equipamento está exposto a chuva ou salpicos de água salgada do mar.
Apesar do cuidado que tenho sempre com o equipamento, uma vez por outra eles apareciam nas objectivas, daí que tive de começar a investigar qual a melhor forma de guardar o equipamento nas nossas casas ou estúdios e proteger o equipamento.

Como surgem os Fungos? 
Os fungos são esporos que viajam pelo ar e que podem entrar e instalar-se no interior de câmaras e objectivas. O seu desenvolvimento é ajudado pela humidade, temperaturas altas e ambientes escuros e pouco ventilados ( Fonte )

Durante as minhas pesquisas, tentei obter algumas recomendações dos técnicos que habitualmente cuidam da manutenção e reparação do meu equipamento.
Eis as dicas que eles me deram:

  • Limpar com alguma frequência os equipamentos, especialmente após o uso.

  • Guardar o material numa caixa transparente, que permita a entrada de luz e raios UV que são responsáveis por eliminar os fungos.  (Quem tiver possibilidade pode investir numa Drybox, que tanto quanto consegui ler é uma opção mais cara, mas "tecnicamente" melhor)

  • Dentro da mesma caixa, colocar um bom numero de sacos de sílica para ajudar a reduzir a humidade.

Há ainda um 4º ponto, que gostaria de acrescentar e que pelo menos para mim, tornou-se uma ajuda preciosa, que é a aquisição de um Higrómetro.
Ao colocar um higrómetro no interior da caixa, vai ajudar (especialmente no inverno) a controlar de forma mais precisa os níveis de humidade dentro da caixa, que no seu ponto ideal deverão rondar entre os 20 e os 40%. (Atenção para não deixar baixar demasiado os níveis de humidade porque irá começar a causar problemas de secagem de algumas borrachas)
Para os interessados encontrei um por aproximadamente 10€ no Leroy Merlin.
De resto, basta apenas ir controlando com os sacos da sílica os níveis de humidade até chegar a um ponto desejável.

Alguns artigos mencionam a colocação do equipamento num local onde esteja directamente exposto ao sol, e que os raios consomem directamente os fungos, mas há quem contra-argumente que devido ao coating que as objectivas hoje em dia levam, que é quase uma missão impossível conseguir fazer que os raios UV entrem nas objectivas e limpem as lentes de fungos.
O ideal será mesmo levar a um técnico para uma limpeza profunda de forma a evitar o re-aparecimento do fungo e ter o material guardado num local que não seja propicio ao seu crescimento.
Espero que este post vos ajude.
RM
 

Não és um fotografo porque és interessado em fotografia by Ruben Mália

Numa apresentação da Yahoo! em 2013 apresentavam-se dados que apontavam que até ao final do ano de 2014 seriam produzidas cerca de 880 biliões de fotos.
Com o aumento da produção e maior acessibilidade a fotografia, o meio tornou-se massificado e com isso o aumento de “ fotógrafos” aumentou exponencialmente.

“ ...You are not a photographer because you are interested in photography” – David Hurn

Para muitos o interesse na fotografia é algo nebuloso, podem estar interessados nas vidas glamorosas de um fotografo de moda ou de guerra, na aquisição e admiração de novas câmeras, ou simplesmente na tradição do laboratório e nos processos de revelação e ampliação. A verdade é que a fotografia é apenas uma ferramenta, um veiculo para exprimir ou transmitir paixão por um determinado assunto a outros.

Algo como comprar um carro novo pelo seu aspecto, pela ideia que vão melhorar o seu estatuto social, pelo cheiro de carro novo, pelo amor a belos trabalhos de engenharia.etc. Mas tudo isto seria inútil se ele não te levar a qualquer lado.

Creio que hoje em dia fotografa-se sem objectivo, sem uma ideia, sem um projecto em mente, e dá-se cada vez mais relevância a imagem única. 
O fotografo tem de ter uma curiosidade imensa sobre o que fotografa, deve pesquisar e conhecer o assunto que esta a retratar o melhor possível e não ter apenas um interesse visual passageiro.

É-se fotografo não pelo interesse na fotografia, mas sim pelo interesse nos assuntos que queremos abordar, pelas histórias ou ensaios que queremos contar/mostrar, e porque a fotografia é a ferramenta que melhor nos permite exprimir e explorar. 

 

30 Dicas para fotografia de rua em geral e no Porto em particular. by Ruben Mália

1ª - A Fnac tem sempre os melhores livros de fotografia, os mais recentes e os mais baratos.
2ª - Não há bons fotógrafos de rua no Porto ( de acordo com o mais recente vídeo da Leica ).
3ª - Pede sempre autorização para fazer um retrato na rua.
4ª - Quase ninguém tem uma foto nas escadas do bolhão com as pombas a voar, e é a mais dificil e complexa de se fazer em toda a história fotográfica da cidade.
5ª - O Porto não é só Aliados, Sta Catarina, Bolhão, Ribeira e Casa da Musica.
6ª - Fotografa sempre as pessoas de costas, de preferência com uma tele objectiva do tamanho do teu braço. (Não te esqueças de pedir autorização).
7ª - Edita todas as fotos com o picasa ou paintshop pro e mete vinheta (vinhetas fazem as fotos melhores).
8ª - Faz preferencialmente contraluzes e compõe sempre ao centro.
9ª - O Bresson tem de ser o teu herói porque viste a exposição no Axa e não conheces outro nome na fotografia.
10ª - A não ser que estejas a fazer um projecto sério, deixa os velhinhos e os sem-abrigo em paz.
11ª - A tia Maria a passear com os sacos das compras em Sta Catarina não é fotografia de rua, é quotidiano.
12ª - Só se compreende o que é original olhando para muita fotografia; Só se pode compreender o que é cliché olhando para muita fotografia.
13ª - A tua mãe e os teus seguidores no Facebook vão sempre gostar das tuas fotos.
14ª – Os actuais curadores das maiores galerias de fotografia no Porto não sabem o que é boa fotografia nem que o Koudelka se sentasse na cabeça deles a comer uma sandes de mortadela e a beber uma caneca de vinho, enquanto duas anãs em biquíni lutavam numa piscina de lama e o Martin Parr tirava uma foto a cena.
15ª - A biblioteca do CPF é o melhor sitio para se ver fotografia.
16ª - Se fazes fotografia de rua no Porto e não tens uma foto da Mariazinha do Bolhão a segurar no pepino e nos tomates és um turista ou começaste semana passada a fotografar.
17ª - Segura sempre na tua objectiva como se tivesses 15 anos e estivesses a apalpar os seios da tua prima pela 1ª vez.
18ª - O Porto fotografa-se em filme. Digital é para fotojornalistas e turistas
19ª - Fotografia de rua são fotos de estranhos não posadas ou encenadas. Não é assim tão complexo de entender pois não?
20ª - A foto que é fácil de fazer é fácil de repetir
21ª - Se toda a gente fizesse projectos em vez de fotos soltas, o mundo seria melhor.
22ª - Não ha fotos que cheguem da ponte D.luis, dos cadeados, e das paredes pintadas pelo Hazul.
23ª - Esquece os cães, o Elliott Erwitt ja fez um livro e tu não és o Elliott Erwitt. 
24ª - Procura antes o cartaz do gato desaparecido que só tem um testículo.
25ª - Se um artista de rua é bom ao ponto de te fazer parar, deves-lhe uma moeda.
26ª - Aprende a fotografar com híper focal.
27ª - Fotografar a socapa pela anca ou ao nível do peito sem olhar pelo viewfinder, é sinal de preguiça, e de que te esqueceste da tua carteira com o teu bâton, rímel e pó de arroz junto do frasco que guarda os teus testículos em formol.
28ª - Uma boa câmera faz boas fotos, assim como uma boa guitarra faz boa musica, talento é algo sobrevalorizado.
29ª - 90% do que fotografas é lixo, se achas que fazes menos que isso, estás a fazer algo errado.
30ª – Mais de 60% do conteúdo nesta lista são apenas comentários em tom de brincadeira e não devem ser levados a sério.

 

"Aquilo que é feito com tempo, o tempo respeita" by Ruben Mália

Maio está a chegar e com ele as festas e tradições populares de verão retomam o seu ciclo anual. Este (espero) será o ultimo ano do projecto “ The Sacred and the Profane”.

Quando iniciei este projecto em 2010 nunca imaginei que me levasse até onde levou e acima de tudo, tudo aquilo que me proporcionou em termos de crescimento, como Homem e como Fotografo.

Grijó de Parada ©Ruben Mália2015

Grijó de Parada ©Ruben Mália2015

Uma vantagem de um projecto de longa duração é dar a capacidade de podermos-nos libertar das pressões que são habituais quando se trabalha para uma revista ou um jornal. Dá a liberdade de experimentar diversas formas de aproximar um tema, e de uma maior empatia e interacção com as pessoas que nos convidam para as suas vidas.
Com este projecto pude testemunhar por diversas vezes a alma e o carinho com que o Português sabe receber nas nossas aldeias e vilas dispersas por todo o norte deste país.

Recordo quando estive em Vale de Porco após o dia de natal, o jipe coberto de gelo que mal pegava pela manha, e a senhora que nos viu perdidos na aldeia ao frio e nos convidou para o abrigo da sua casa e da lareira que ja ardia desde muito cedo. Preparou-nos uma mesa farta com tudo que tinha de melhor, contou-nos historias da sua aldeia, das tradições que ja não se realizam e falou-nos das dificuldades que os mais novos encontram para se fazerem a vida.

A capacidade de bem receber torna-se ainda maior quando temos a oportunidade de regressar ano após ano para participar das festas. As pessoas vão nos conhecendo, o ambiente torna-se mais familiar, formam-se laços de amizade, e para quem esta a fotografar, isso ajuda imenso a que as pessoas se tornem menos tensas quando lhe apontamos uma câmara.
No final do dia somos mais um elemento da família, mais um amigo, mais um peregrino.

 

Em 2013, o New York Times publicou uma entrevista (Link) pela jornalista e cineasta  Sheila Turner-Seed a  Henri Cartier-Bresson em 1971. Nessa entrevista Bresson, citando Rodin, dizia: 

“I like to live in a place. I don’t like to go for short time. Rodin said, “What is made with time, time respects,” or something like this.”
— Henri Cartier-Bresson

Essa citação tem viajado comigo cada vez que parto para fotografar para este projecto. Hoje em dia, e em especial com a entrada da fotografia digital, queremos tudo feito na hora, os projectos são feitos em dias ou semanas, queremos fotografar e ver logo as nossas imagens para poder partilhar o mais rápido possível para consumo. Faz lembrar fast food.

Garry Winogrand deixava os seus rolos em sacos durante anos até decidir revelar-los e finalmente olhar as suas imagens. Tal distanciamento é importante, especialmente para que não confundamos o sentimento que associamos ao momento em que a imagem foi tirada e possamos ser objectivos quando olhamos para uma foto.

“Sometimes photographers mistake emotion for what makes a great street photograph.”
— Garry Winogrand

Fica a sugestão e o desafio. Experimentem passar um ano sem publicar nas redes sociais, deixem as vossas imagens assentar, amadurecer, como um bom vinho e vão ver que a vossa percepção vai mudar para melhor.

Uma breve nota by Ruben Mália

Hoje no Expresso diário, um artigo de opinião sobre o Bairro do Aleixo assinado por Valdemar Cruz com fotos de Rui Oliveira. 
Após uma visita a Galeria Geraldes da Silva, o jornalista não conseguiu ficar indiferente ao projecto do Aleixo lá exposto, mas também deixou uma breve nota sobre as outras duas exposições. 

"Tropecei há dias nos gritos saídos do Aleixo durante uma pequena deambulação pela baixa do Porto. Ao passar pela rua de Stº Ildefonso, após o cruzamento com a rua da Alegria, descobri a Galeria-Atelier Geraldes da Silva, dispersa pelos vários andares de um prédio imenso, antigo e recuperado. Lá dentro, três exposições de fotografia, cada uma delas a merecer um sublinhado especial. No rés-do-chão, “Aqui há gente”, de Ruben Mália, uma muito sensível viagem pelos rostos de quem continua a dar vida aos velhos bairros do Porto, para lá do frenesim turístico derramado sobre a cidade. No terceiro andar, Helena Flores proporciona-nos uma comovente “Saudade levada ao peito”. É uma exposição sobre o luto. O luto das mulheres de Caxinas a quem o mar levou os seus amados. O mar devorou-lhes maridos, filhos ou netos, mas elas conservam-nos colados ao peito, em pequenas fotos cristalizadas no esmalte pendente de medalhões ou voltas em ouro."

Festa dos Rapazes by Ruben Mália

Aqueles que já seguem o meu trabalho há algum tempo, sabem o quão importante tem sido para mim o projecto “  The Sacred and the Profane “e o esforço que tenho feito para poder documentar ao longo destes 5 anos as varias tradições do norte de Portugal. 
Este fim-de-semana, viajei até Grijó de Parada (Bragança) para fotografar a Festa de Santo Estêvão. 
Apesar de haver muitos poucos registos sobre a festa em Grijó, a vontade da população em querer manter viva esta festa, (e que com a recente criação e dedicação da Associação Caretos de Grijó o irá continuar a ser) tem sido a lenha para alimentar esta fogueira de cultura ancestral.
Quero deixar um enorme agradecimento ao André Seca, e a Associação Caretos de Grijó, pela forma amigável e calorosa como me receberam e me fizeram sentir em casa.
Abriram as portas de suas casas, partilharam histórias à lareira, as suas mesas e tudo de bom que a terra tinha para dar, sempre de coração cheio.

Miguel Torga dizia “há duas coisas grandes, pela força e pelo tamanho: Trás-os-Montes e o Alentejo. Trás-os-Montes é o ímpeto, a convulsão; o Alentejo, o fôlego, a extensão do alento”.

EI Awards 2015 Finalist by Ruben Mália

As some of you may know, i was one of the finalists at the Encontros de Imagem -  EI Awards 2015 in Braga
I want to thank everyone for all the support received, so…
THANK YOU!  :)